Quando meditamos, não precisamos de parecer nada, não temos de provar nada a ninguém, podemos deixar de lado os diferentes papéis e personagens que desempenhamos no nosso dia a dia; este é o momento e o espaço onde podemos deixar cair a máscara e ser nós mesmos: apenas Ser. Assim mesmo, como somos e como estamos, desnudados de quaisquer roupagens que vestimos para conseguirmos encaixar-nos nas expectativas dos outros (e, muitas vezes, nas nossas próprias expectativas sobre nós mesmos).
A meditação permite-nos olhar para nós mesmos exatamente como somos, com as nossas sombras, feridas, cicatrizes, mas também nos permite vermos a nossa luz, porque todos somos feitos de contrastes e é isso que nos torna únicos.
Ninguém é só Luz ou só Sombra.
Vivemos numa sociedade que nos exige constantemente a perfeição, a beleza eterna, a excelência, fazendo-nos acreditar que a falha, o erro, a ruga, o cabelo branco, o cansaço não são aceitáveis, nem dignos. Se falhamos, se erramos, se estamos exaustos, cansados, se deixamos que o tempo deixe a sua marca em nós, somos excluídos, porque não nos esforçamos o suficiente. Se gritamos, se choramos, se sentimos raiva, se não sorrimos o tempo todo e demonstramos que está tudo bem (mesmo que não esteja) é porque há algo de errado connosco.
Não há nada de errado. Somos Humanos e, como tal, temos o bom e o mau dentro de nós; o bonito e o feio; o sol e a chuva. E é isso que torna esta experiência tão fascinante! A Vida vem com todo o tipo de emoções e todas elas fazem parte do que é Ser Humano.
Então, não nos escondamos de quem somos e do que sentimos. Olhemos para nós com verdade, com curiosidade, com carinho e com compaixão, porque estamos a fazer o melhor que podemos com os recursos que temos a cada momento. Certamente faríamos melhor se soubéssemos como ou se tivéssemos os recursos necessários.
Na meditação não há julgamento, porque a não há mais ninguém, para além de nós. Talvez, por vezes, o julgamento venha de nós mesmos, das nossas vozes interiores (aquelas que fomos ouvindo ao longo da nossa caminhada e deixámos que se enraizassem bem fundo dentro de nós).
Quando meditamos, temos oportunidade de escutar as vozes que vivem dentro de nós e, se o fizermos com curiosidade, talvez consigamos distinguir, de entre essas vozes, quais as que não nos pertencem e qual a que é verdadeiramente nossa, que nos guia e que nos sussurra constantemente o caminho, com gentileza e com Amor.
Nem sempre é fácil lá chegar, por vezes, temos de olhar para aquilo de que não gostámos e que nos magoa, mas vale a pena continuar, porque a recompensa é grande: o (re)encontro connosco, com que somos de verdade! Aí podemos, finalmente, permitir-nos Ser, sem máscaras e sem medo, porque sabemos o que realmente importa e sabemo-nos parte do Todo.
Estás preparado(a)?

