O que eu gostava de poder dizer a cada mãe adoptiva nos seus momentos mais difíceis. E o que eu preciso de dizer a mim mesma.
Calma. Respira. Eu sei que está difícil. Eu sei que não era isto que tinhas imaginado. Sei que estás a sofrer. E também sei que precisas de ouvir isto:
O facto de ser mais difícil do que imaginavas, não quer dizer que tenhas feito a escolha errada.
Difícil e errado são coisas diferentes: algumas das coisas mais acertadas que já fizemos também são/foram as mais difíceis.
O facto de te questionares significa que a tua criança tem uma mãe que a ama o suficiente para não desistir dela, para continuar todos os dias, especialmente quando ninguém vê o quanto está a custar. E isso não é pouco!
A resistência do teu filho não é um veredicto sobre a tua capacidade: é uma resposta do sistema nervoso dele a uma história da qual tu não fizeste parte (ainda que sejas tu quem está, agora, a dar o corpo às balas).
O progresso está a acontecer, mesmo quando não o consegues ver.
O processo de “cura” em crianças que experimentaram perdas e abandono não é linear. Ele vai acontecendo de forma discreta, durante muito tempo, até o conseguires perceber.
Confia no processo, mesmo (especialmente) quando o processo não parece dar-te bóia de salvação, para te manteres à superfície.
A pessoa em que te estás a transformar, por dentro deste processo difícil, é uma versão de ti que é extraordinária. Ainda estás no casulo e tudo parece apertado.
Provavelmente não consegues ver isso agora, porque estás muito próxima do centro da tempestade; mas a paciência que vais construindo e o amor que escolhes a cada dia, apesar da dificuldade, está a fazer-te crescer de formas que nunca imaginaste.
É-te pedir ajuda, sem que isso signifique que não conseguir lidar com isto. Tu consegues e não deverias ter de lidar com isto sozinha. E estas duas coisas não entram em conflito.
Estás na parte difícil. Não na parte errada. Não na parte em que as coisas falham. Na parte difícil. Mas tenho uma boa notícia para ti: o que é difícil também termina. Não por desistires, mas por ousares atravessar.
E atravessar significa que existe um outro lado.
Continua. Eu estou aqui. Vamos juntas.

